A busca de todo dia e, talvez, de todo mundo.
Feliz, palavra extensa. Portanto inalcançável?
Cada vez mais me interesso pela busca, e não pela linha de chegada.
Aprendo com meu filho, quando tinha dez anos:
Ser feliz era carinho, futebol, doce e videogame. Hoje aos 13, sinto que não mudou tanto. Talvez o futebol tenha virado basquete ou seja esporte em geral.
Eu, aos 45 anos, tenho minha própria lista:
- Viver a vida como uma aventura: experiências, encontros e movimento
- Viver a vida com afeto: cuidar de meus filhos, amar e ser amada, cultivar as relações
- Viver a vida com sabedoria: aceitar os dias nublados, receber as emoções difíceis, querer ser feliz mais do que estar certa.
- Viver a vida em aprendizado: tentar, errar e buscar sentido no erro. Reorientar-me depois dos tropeços. Evitar os velhos buracos.
Há outras coisas que estou ainda tateando: o silêncio, a solitude, a paciência, a satisfação.
O saldo, consulto no peito a cada instante. Agora mesmo, há um pouco de tristeza sem nome, um quentinho na barriga de acontecimentos deliciosos e uma esperança luzindo firme e tépida em meio a ventanias.
Da lição de meu filho, prezo sobretudo a simplicidade. A mistura de sentimento profundo (carinho) com os prazeres mais cotidianos (o doce).
Ondas agridoces lambem meu coração ardido. Ardido de paixão pela vida, necessidade de coragem e amor, muito amor.
E a felicidade torna-se este mosaico de salgados, doces e amargos. Mosaico caleidoscópico, aquecido pela brasa dos meus desejos e abrandado pelo molhado de minhas lágrimas.
Felicidade que, afinal, é a mistura de sabores. O contraste que faz o bom brilhar forte e o ruim realçar o bom.
Felicidade agora é esta sensação de que, se eu morresse hoje, minha vida valeu a pena e foi memorável.
Felicidade agora é esta sensação de querer viver mais, para continuar este cultivo de travessias e gratidão.