Tag: Poesia


  • Samba-invenção

    Samba-invenção

    Ouço suas músicas E quase  posso tocar seu rosto Barba por fazer   Quase vejo o sorriso Nos lábios finos   Quase escuto a piada Desajeitada   Cartola. Paulinho. Amy. Te reconheço Me surpreendo Com tanto que eu não sabia   Você é maior, muito maior Do que minha alma-filha Testemunhava Mesmo agora, invisível  …

  • Figo

    Figo

    Descobrir o figo Maciez e sumo Inesperados Temer perdê-lo Será somente a fruta? Ou meu coração mais doce Doçura esquecida Sob teias e teias de pensamento? Morder o figo Sem despedaçá-lo Para que se regenere Floresça Ainda mais figo, ainda mais amor

  • Para Eliana

    Para Eliana

    Do deserto Nasceram tâmaras Fiz meu próprio oásis Da areia e do vento   Não me deixei soterrar Abracei as tempestades Avancei sem saber Confiando no Maior   Do deserto Dourado sol poente Fiz meu legado de flores   Nasci minhas próprias águas Cresci sombra Estou pronta, meu Deus Ao menos quase

  • Ontem e hoje

    Ontem e hoje

    Ontem, árvore seca. Imersa em controle e outras rabugices. Esquecida de mim. Tarefas, labuta, trabalho. Hoje, atenta à lua. Ouvindo a seiva que corre dentro. O rio caudaloso tão íntimo. Ontem, distraída de mim, caminhando apressada. Hoje, cultivo silêncios e solitude como um tesouro. Nas costuras, aquarelas, música dentro e fora.   Ontem, dúvida, angústia…

  • Voe

    Voe

    Os ombros descansam do peso de mundos. O ventre intui belezas. Algo novo em gestação. Algo novo fecundado de um ninho ancestral. Desperto.  Despeço-me da velha casca.   Sou asa.

  • Mar profundo

    Mar profundo

    Daqui, não se ouve o burburinho da praia. Crianças correndo, ambulantes gritando suas ofertas. Daqui, não se ouvem os carros, buzinas, motoristas irritados. Daqui, não se ouvem as queixas sobre a política, os amores, a falta de dinheiro, a crise. As risadas do bar da esquina. O latido do cão do vizinho. O ruído do elevador.…

  • Sobre romãs

    Sobre romãs

    É preciso caber na palma das mãos. É preciso não ser doce nem ácido. É preciso ter sementes. É preciso verter sumo. É preciso ser macio e suculento. Rutilar como rubis. É preciso esperar o tempo da colheita.   Romãs requerem tempo.

  • Mar tranquilo

    Mar tranquilo

    Apesar do maremoto, quietude. Lá fora trovejam transformações, aqui dentro, uma silenciosa certeza. Minha voz. Uma voz sutil, carregada de cicatrizes. Uma voz que há muito não ouvia. Uma voz nua de convenções, de medos, de frivolidades. Grave, rouca, visceral. A voz que valsa com meu coração, percorre o esqueleto, retumbando ossos. A voz de…

  • Recomeçar

    Recomeçar

    Uma nova página, tanto branco. Viver a delícia e o frio na barriga das estreias. Dentro, antecipação.  Fora, listas e listas a cumprir.. Ancoro-me no lastro do caminho percorrido. Conto com cada página virada para aguentar os solavancos. Uso de todo o conhecimento, magia e experiência. Respiro fundo, tempero paciência com ousadia, sou econômica no desnecessário. O…

  • A interrogação

    A interrogação

    O peito palpita inquieto. Será? Quando? Como? Respiro. Suspiro. Não saber. Estar na escuridão e lançar-se num passo. E outro. Enfrentar receios e vazios. Saltar no espaço, sem ser bailarina. Aprender a ser bailarina, meio no improviso. Na falta de uma vela, fazer o coração luminoso e nele guiar-se. Não hesitar, face ao Mar Vermelho. Salgar-se de esperança.…