Ouço suas músicas E quase posso tocar seu rosto Barba por fazer Quase vejo o sorriso Nos lábios finos Quase escuto a piada Desajeitada Cartola. Paulinho. Amy. Te reconheço Me surpreendo Com tanto que eu não sabia Você é maior, muito maior Do que minha alma-filha Testemunhava Mesmo agora, invisível …
Descobrir o figo Maciez e sumo Inesperados Temer perdê-lo Será somente a fruta? Ou meu coração mais doce Doçura esquecida Sob teias e teias de pensamento? Morder o figo Sem despedaçá-lo Para que se regenere Floresça Ainda mais figo, ainda mais amor
Do deserto Nasceram tâmaras Fiz meu próprio oásis Da areia e do vento Não me deixei soterrar Abracei as tempestades Avancei sem saber Confiando no Maior Do deserto Dourado sol poente Fiz meu legado de flores Nasci minhas próprias águas Cresci sombra Estou pronta, meu Deus Ao menos quase
Ontem, árvore seca. Imersa em controle e outras rabugices. Esquecida de mim. Tarefas, labuta, trabalho. Hoje, atenta à lua. Ouvindo a seiva que corre dentro. O rio caudaloso tão íntimo. Ontem, distraída de mim, caminhando apressada. Hoje, cultivo silêncios e solitude como um tesouro. Nas costuras, aquarelas, música dentro e fora. Ontem, dúvida, angústia…
Os ombros descansam do peso de mundos. O ventre intui belezas. Algo novo em gestação. Algo novo fecundado de um ninho ancestral. Desperto. Despeço-me da velha casca. Sou asa.
Daqui, não se ouve o burburinho da praia. Crianças correndo, ambulantes gritando suas ofertas. Daqui, não se ouvem os carros, buzinas, motoristas irritados. Daqui, não se ouvem as queixas sobre a política, os amores, a falta de dinheiro, a crise. As risadas do bar da esquina. O latido do cão do vizinho. O ruído do elevador.…
É preciso caber na palma das mãos. É preciso não ser doce nem ácido. É preciso ter sementes. É preciso verter sumo. É preciso ser macio e suculento. Rutilar como rubis. É preciso esperar o tempo da colheita. Romãs requerem tempo.
Apesar do maremoto, quietude. Lá fora trovejam transformações, aqui dentro, uma silenciosa certeza. Minha voz. Uma voz sutil, carregada de cicatrizes. Uma voz que há muito não ouvia. Uma voz nua de convenções, de medos, de frivolidades. Grave, rouca, visceral. A voz que valsa com meu coração, percorre o esqueleto, retumbando ossos. A voz de…
Uma nova página, tanto branco. Viver a delícia e o frio na barriga das estreias. Dentro, antecipação. Fora, listas e listas a cumprir.. Ancoro-me no lastro do caminho percorrido. Conto com cada página virada para aguentar os solavancos. Uso de todo o conhecimento, magia e experiência. Respiro fundo, tempero paciência com ousadia, sou econômica no desnecessário. O…
O peito palpita inquieto. Será? Quando? Como? Respiro. Suspiro. Não saber. Estar na escuridão e lançar-se num passo. E outro. Enfrentar receios e vazios. Saltar no espaço, sem ser bailarina. Aprender a ser bailarina, meio no improviso. Na falta de uma vela, fazer o coração luminoso e nele guiar-se. Não hesitar, face ao Mar Vermelho. Salgar-se de esperança.…